CAPA
A Educação, vista pelos olhos do professor
Você conhece bem esta realidade: o professor adora a profissão, mas não está satisfeito com ela. Sabe que é parte de sua função preparar os alunos para um futuro melhor e gosta de ver as crianças aprendendo, porém se ressente por ter de providenciar a Educação global (valores, hábitos de higiene etc.) que a família não dá. NOVA ESCOLA e Ibope conversaram com 500 professores de redes públicas em todas as capitais brasileiras e os números são muito reveladores da situação em que se encontram nossos educadores.
53% têm no amor à profissão sua principal motivação.
63% trabalham no que gostam.
83% têm consciência da importância da profissão de professor.
80% já participaram de cursos de capacitação depois de formados.
Ao mesmo tempo, muitos se queixam do trabalho duro e (o pior) não reconhecido pela sociedade.
63% relatam viver em nível significativo de estresse.
48% sentem falta de mais segurança contra a violência.
54% estão descontentes com os benefícios, 47% com o salário e 47% com a sobreposição de papéis (em relação à família dos alunos).
21% estão satisfeitos com a profissão (um número assustador: em pesquisas similares o índice oscila entre 40 e 60%, chegando a 80% em algumas áreas que podem ser chamadas de privilegiadas).
As três principais surpresas da pesquisa apareceram justamente nas questões sobre a relação do professor com seu público-alvo e com o ambiente de trabalho.
1) Os alunos são vistos como desinteressados e indisciplinados e são percebidos, junto com a família, como os principais problemas da sala de aula.
2) A formação inicial é apontada pela maioria como "excelente". Mas, ao mesmo tempo, reconhecem não estar preparados para o dia-a-dia dentro da sala de aula.
3) As secretarias (municipais e estaduais) de Educação e o Ministério da Educação praticamente não aparecem como atores importantes da realidade do Magistério.
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